Por: Fabrício Horta
Em se tratando da função da música na TV - como essa interação pode ajudar ou prejudicar o acabamento de uma cena - resolvi eleger os 10 melhores e piores momentos musicais da primeira temporada de “Glee”, o sucesso do momento entre os enlatados seriados norte americanos.
Para quem não conhece, Glee é uma evolução de Hanna Montana com pitadas de 90210, mas com o resgate de canções antigas, nova roupagem a canções novas e números musicais por vezes interessantes.
Foram lançados 05 discos relativos às canções interpretadas pelas personagens na primeira temporada: Volume 01 e 02; The Power of Madonna; Volume 03 – Showstoppers e Journey to Regionals, totalizando aproximadamente 60 canções lançadas na mídia (eu tenho todas).
Mas o que eu pretendo aqui é relacionar a canção com o momento que ela foi encaixada no episódio e na trama em si.
10 PIORES MOMENTOS DE GLEE
10 – Para o décimo lugar escolhi um momento não muito legal, protagonizado por uma música que virou emblema do seriado, mas que, no meu ponto de vista, e na situação que foi feita, soou como falta de criatividade e comodismo, me incomodando um pouco. Não levem a mal, mas Don´t Stop Belive (Journey, cantado nas Regionais pelo grupo todo) no ultimo episódio desta temporada foi desnecessário, marketeiro e oportunista. Foi a canção que mais chamou atenção para a série? Sim. Como também foi a canção que deu ao integrantes do New Directions, o estigma de “cantores de musicas antigas” como a personagem Rachel diz já no primeiro episódio da segunda temporada. Não gostei.
9 - Don´t Stand so Close to me (The Police, cantada pelo Will): Episódio 10, quando Rachel cisma que tem uma queda pelo professor e que ele também pode de certa forma estar gostando dela. Ótima canção, mas o fato de Will achar que tem 15 anos e que pode ser o astro principal de uma Boy Band é muito inicio anos 90, não combina com a proposta do seriado, apenas torna o personagem dele um pouco mais bobo. Do que já é.
8 – (You´re) Having my baby (Paul Anka, cantada pelo Finn): Outra pérola do episódio 10, aliás, um dos meus menos preferidos, pra não dizer odiados, na cena em que a Quinn leva o Finn para jantar na casa dos pais dela e ele solta uma canção no meio do jantar, sem contar que a musica é chata, a situação ficou chata, desconfortável, não agregou nada ao seriado (logo depois dessa, como que num passe de mágica, a paternidade da criança se perde no meio do seriado, assim como, a personagem Quinn fica sem função na série). Eu senti vergonha por eles.
7 – Fire (The Pointer Sisters, por Will e April): Eu amei a participação da April cantando Maybe this time, no 5º episódio, canção maravilhosa que marcou a carreira de Liza Minelli em Cabaré, mas voltar como dona de uma pista de patinação (episódio 16), preparando o seriado para o próximo episódio, no qual tivemos a participação especial de Olivia Newton-Jonh (episódio 17), só para compor cena não foi bacana... E transformar uma pista de patinação em karaokê também eu não gostei, tem cara de coisa programada.
6 – It´s my Life/ Confessions part II (Bon Jovi e Usher, Mash up dos garotos do New Directions): Como começar… Eu não gosto nem do Bon Jovi nem do Usher, então, foi um mash up confuso, em inúmeras vezes me perguntei que canções eram aquelas? Não me cativou, ainda mais depois do contagiante mash up das garotas... (em breve comento).
5 – Hello, I Love You (The Doors, cantada pelo Finn): De onde que o Finn tirou que ele é um cantor (bom) de rock? Eu o prefiro mil vezes em parceira com qualquer um do seriado e cantando baladas ou musica pop, não combina rock com a cara dele, e cantar The Doors jogando basquete? Isso não é mais novidade. Leonardo de Caprio já fez isso no ótimo “Diário de um Adolescente”, 1993, ao som de Riders on the Storm.
4 – Bad Romance (Lady Gaga, cantado pelas meninas e o Kurt): o 20 episódio foi sobre a busca pelo estilo pessoal, pela identidade e pela liberdade de manifestação. Achei um plágio de Lady Gaga, super contra a proposta. Digo, um plágio autêntico, com os personagens usando as roupas mais famosas da cantora, como a capa da Rolling Stones americana. E, cá pra nós, eu não considero Lady Gaga tão autentica assim. Acho que ela é bem produzida, isso sim. Taí, não tinha pensado antes: talvez o episódio se propusesse a ser bem maquiado, produzido e escandaloso e não ter essência nenhuma mesmo.
3 – Bohemian Rhapsody (Queen, cantada pelo Vocal Adrenaline): Episódio final, que são as classificatórias para o Torneio Nacional de grupos vocais. Se a intenção era transformar um espetáculo de música para adolescente em apresentação de ópera épica, talvez o Vocal Adrenaline estivesse correto. Mas a apresentação ficou antiquada, com diversos números acrobáticos (#MariaPiaPhinóquioFacts), lembrando Dancing with the Stars em diversos quesitos. Não gostei, achei que eles ganharam mais por egocentrismo dos jurados do que por qualidade musical mesmo.
2 – Physical (Olivia Newton-Jonh, cantado pela própria estrela de “Grease” e Sue): Clássico das academias nos anos 80, excelente música que poderia ter dado super certo no seriado, mas ó, em menos de 3 episódios 2 clipes musicais com a Sue, cansa... Poderia ter esperado pelo menos uma nova temporada para fazer outro clipe, pois Vogue (Episódio 15) foi MARAVILHOSO, teve um elemento de novidade, que ficou fantástico, mas repetir a fórmula para angariar ibope pegou mal...
TOP 01 – a mais odiada: Like a Prayer (Madonna, cantada pelo Cast Glee ao final do episódio dedicado à cantora): Esperava mais, muito mais, dessa apresentação. Para mim, Glee trás novidades, roupagens novas e surpresas às canções cantadas pelo grupo. Mas, Like a Prayer, mais uma vez, foi executada como canção de tom gospel, incluindo um coral ao fundo, já visto milhões de vezes, em milhões de apresentações da Material Girl e, que até poderia soar como novidade em Mudança de Hábito. Mas não cola mais não. O desafio era exatamente o oposto: transformá-la em uma canção moderna. Causa-me estranheza que uma boa musica seja cantada da mesma forma há tanto tempo.
10 MELHORES MOMENTOS
10 – Defying Gravity (Wicked, cantada por Kurt e Rachel): a grande surpresa dessa música, episódio 09, é que eu não a conhecia e agora é uma das minhas favoritas. O Kurt mostra sua bela voz e, Rachel toda sua arrogância que faz sentido no seriado tornando a trama interessante. A cena é linda, com os dois cantando partes distintas da música, em tempos separados, mas unidos pela edição. Ponto pra Glee.
09 – Mash up Walking on Sunbshine/Hallo (Katrina and the Waves/Beyonce, cantada pelas garotas em estado alterado no episódio 6): O elemento surpresa de Glee está presente como nunca nessa canção: a releitura de uma música atual e o resgate de um clássico. Eu acho que reflete a energia que o seriado tem, o brilho e a força que Glee se esforça para passar, e que fica conosco após assistir este episódio. Confesso, fiquei uma semana cantando Walking on Sunshine e pasmo com a força da canção da Beyonce, que já tinha me cansado por ter sido trilha sonora de novela global.
08 – True Colors (Cindy Lauper, cantando pela Tina, com participação do Glee Cast em segunda voz): Uma linda canção para uma linda cena, mais uma vez a carta da manga do diretor, um presente do episódio 11 – a tímida Tina, a japinha, solta a voz nessa canção de emocionar. Direto pro meu PC e se tornou uma das minhas favoritas. Esta canção reforçou o tom nostálgico/anos 80 que o seriado busca deste Don´t Stop Belive, com o resgate de clássicos que mexem com nossas lembranças.
07 – Poker Face (Lady Gaga, interpretado por Rachel e Shelby, mãe da garota): Esta canção define o título deste episódio (20): Theatrecally. E é teatralmente que mãe e filha põem as cartas na mesa: elas sabem que não dá para voltar no tempo e resgatar as memórias de infância e, como em um jogo de cartas, deixam claro que após anos afastadas, o sentimento de Rachel por ela é: “Ele(a) não consegue ler minha cara de blefe (Ela não ama ninguém)”. E como a música ficou boa, heim, Lady Gaga?
06 – Safety Dance (Men Without Hats): Episódio 19, entitulado Dream On, onde um dos sonhos mais complicados foi realizado, pelo menos, na cabecinha do Artie. Com certeza. Artie é a grande surpresa desse episódio, (ressaltando que é o carinha da cadeira de rodas) dando um show a parte dançando num flash mod em um shopping Center. Momento mágico, e que vai de encontro à proposta do episódio e mostra todo o talento deste ator multifacetado.
05 – Somewhere Over The Rainbow (Original de O Mágico de Oz, cantado por Will): Essa, de fato toca meu coração, e é super apropriada ao seriado e ao episódio. Última musica do último episódio, o professor deixa claro que ainda é uma incógnita o próximo ano do grupo, e que ele não sabe o que lhes esperam, Além do Arco-Íris, com a derrota nas regionais. Alias, quem sabe não é? A versão é a mesma cantada na trilha do filme “Como se fosse a primeira vez” e Will e Puck arrasam no violão e voz.
04 – Vogue (Madonna, interpretada por Sue): Reproduzir Madonna não é tarefa fácil, dificilmente quem o faz, cai no mais-do-mesmo. Para surpresa nossa, a idéia de Kurt e Mercedes é reproduzir o clipe de Vogue com nada mais, nada menos que Sue (o que lhes garante vaga nas Cheeiros). O mais intrigante é que percebe-se claramente que os takes, as cenas e as coreografias são as mesmas de Vogue, mas quem não reparou no tom Sue Sylvester deste clipe? Substituir “Greta Garbo” por Will Schuester foi fantástico. E como a atriz dança bem... Aposta que a Diva maior do POP Music ficou de fato satisfeita com a homenagem.
03 – Imagine (Jonh Lennon, cantada por Mercedes, Rachel, Finn, Artie e o Glee Cast): Emocionante a cena: depois de passarem pela experiência de música diferente (a tarefa deste episódio se chama Hairpography, em bom português, bate-cabelo) e mostrarem que eles podem ser mais ousados neste episódio 11 (tá, um dos meus favoritos sim), o Glee Club é surpreendido por um coral de garotos surdos, numa canção clássica de Jonh Lennon cheia de sentimento puro, declamando (do jeito deles) Imagine... Mercedes não resiste e entra na canção, proporcionando um dos momentos mais bonitos do Glee até agora (eu choro vendo este episódio).
02 – Rehab (Amy Winehouse, cantada pelo Vocal Adrenaline): na tentativa de aprenderem um pouco mais sobre corais, o grupo visita um ensaio do Vocal Adrenaline e se surpreende (e muito) com o que eles são capazes de fazer com esta canção, interpretando de maneira própria e ousada. Marca ao Glee Club um objetivo a ser alcançado: ultrapassar o Vocal Adrenaline e ser campeão nacional de grupos vocais. Ponta pé inicial e mote central da série.
TOP 01 – Like a Virgin (Madonna, por Rachel, Puck, Santana, Finn, Emma e Will): Nesse episódio brilhante, onde o roteiro converge todo para canções de Maddy, Like a Virgin é o ponto alto. Há tempos a série vem versando sobre virgindade de diversos personagens (Finn, Rachel e a Emma). Este episódio é o ápice desse importante momento na vida dos personagens: ser ou não ser mais virgem. Cantada a seis vozes, destaque para a primeira aparição com maior importância de Santana, que deu show. Like a Virgin fecha um ciclo e uma temática nesta temporada, e quem tinha que deixar sua virgindade nesta noite, deixou. Assinala também a crescimento técnico da série, com roteiro melhor elaborado e visual mais moderno.
O Pior...
O Melhor...
NÃO TENHO UM PLANO B
sábado, 2 de outubro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Para Maiores

Não tenho dúvidas em afirmar que a banda Pato Fu é referência no mundo pop brasileiro em se tratando de originalidade, experimentos, genialidade e todos os adjetivos relativos a competência que couberem aqui.
Em Música de Brinquedo, novo trabalho da banda, não é diferente. Talvez é, em Música de Brinquedo que, a tal originalidade fique em evidência. E, oh, para quem não sabe, é um CD de regravações.
Ok, um CD de regravações de clássicos do pop nacional e internacional! Mas, que regravações !! A Banda queria fazer um CD infantil, mas não um CD infantil. Entendeu? É Pato Fu, oras ! Então a coisa funcionou assim: todos os instrumentos usados nas músicas são sons tirados de… brinquedos ! E aí, vale de um tudo: pianinho, guitarrinhas, cornetas,apitos, caixinha de música, sons de animais de borracha (aqueles que na maioria das vezes são irritantes).
Já li por aí que a intenção deles de regravar clássicos foi justamente não mexer nos arranjos, porque são músicas que todo mundo conhece e que o barato seria as pessoas ficarem imaginando como e de onde aqueles sons foram tirados. E esse negócio de atirei o pau no gato, não é música para os filhos deles e, por conseqüência, nem para os filhos dos fãs.
Bem , ainda tem aquela voz !!! Fernanda Takai, impar. E o charme do cd fica por conta do coral desafinado, desprendido de normas e infantilmente inocente, formado por Nina, filha da Fernanda e do John e pelos amiguinhos de escola, todos na faixa de de 5 a 6 anos.Bom, chega de enrolação e vamos ao que interessa. Música de Brinquedo, faixa por faixa:
1 – Primavera (Vai Chuva) – Sai o vozeirão do Tim Maia e entra a doçura mole da voz da Fernanda. E você tem a certeza que a música sempre foi feita para ela cantar. E o primeiro sorrisinho aparecerá quando o coral entrar em ação.
2 – Sonífera Ilha – A introdução desse clássico dos Titãs é reconhecida a km de distância e aqui ela é composta de gritinhos de animais, bateria e xilofone !!! Se der vontade de sair dançando e cantando ao mesmo tempo sem se preocupar em graves e agudos, a hora é essa. Uma das minhas preferidas.
3 – Rock and Roll Lullaby – Clássico dos anos 70, já esteve na trilha sonora da Novela Selva de Pedra (primeira e segunda versão) e a versão do Pato Fu emplacou na trilha de TiTiTi 2010. Olha, o xilo dando a introdução, uma guitarrinha meio havaiana. Pronto, é música para dancinha de rosto colado ou trilha para finais de tarde.
4 – Frevo Mulher – Bom se fosse pra escolher uma música para retirar do cd seria essa. Não me convenceu. Mas fiquei sabendo que no show está funcionando muito bem.
5 – Ovelha Negra – Minha preferida: pelo coral fofo no “…tchu, tchu, tchu..” pelos berros da ovelhinha e porque essa música eu algumas vezes já tomei para mim. Acho que Titia Rita Lee ficou feliz com a versão despretensiosa para um dos seus maiores clássicos.
6 – Todos Estão Surtos – Num cd de clássicos, o Rei Roberto não podia ficar de fora. Destaque total para o coral que ficou encarregado de declamar, no melhor estilo “festinha na escola”, os versos tão lúdicos e atuais escritos pelo Rei. Confesso que emocionei quando ouvi pela primeira vez.
7 – Live and Let Die – Regravar Beatles sempre gera discussões calorosas nas rodas dos mais aficionados. Sem medo de ser feliz e com um currículo impecável, o Pato Fu fez com certeza uma regravação que entrará para a história das melhores do mundo Beatles. Destaque para o arranjo de cordas (no original) que aqui foi substituído por elefantinhos de plástico, tecladinhos de calculadora e por aí vai.
8 – Pelo Interfone – Ficou um charme! Bora dançar de passinho! iê, iê, iê !!!
9 – Twiggy, Twiggy – O Grande sucesso do Pizzacato 5 que anima qualquer festa e que podemos dançá-la sem regras, continua na versão do Pato Fu, com a mesma vibração. O
coral em êxtase concede uma mini entrevista para a vocalista no meio da música. Sayonara !
10 – My Girl – o filme “Meu Primeiro Amor” ficaria ainda mais fofo se a versão usada fosse essa. É a sensação de dizer “eu te amo” e ser correspondido. É ficar sorrindo sem motivo aparente. É só isso e tudo isso.
11- Ska – apitos, xilo e bateria de plástico dão o tom saudosista dos anos 80, Paralamas, e hora dançante nos finais de semana.
12 – Love Me Tender – Para encerrar a festa infantil para gente grande, nada mais nada, menos, que a máxima declaração de amor feita por Elvis Presley. Uma caixinha de música é a base da versão. Quer coisa mais charmosa? Quero: a voz de ninar de Fernanda Takai.
quinta-feira, 18 de março de 2010
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